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100 Pensamentos de Mahatma Gandhi

Sinceridade da Minha Vida

1- O desejo sincero e puro do coração é sempre realizado; em minha própria vida tenho sempre verificado a certeza disto.

2- Divergência de opiniões não deve jamais ser motivo para hostilidade; se assim fosse, eu e minha mulher seríamos inimigos jurados um do outro.

3- Os meus sonhos não se resumem a sentimentos balofos; faço o possível para converter em realidade os meus sonhos.

4- A Verdade me é infinitamente mais cara do que o meu título de "Mahatma"(1) que não passa de um simples fardo para mim; o que até agora me salvou da opressão desse título de "Mahatma" é o conhecimento da minha indignidade e do meu nada.

(1) Mahatma, contração de maha (grande) e atma (alma),um apelido que o povo indiano deu a seu grande líder e libertador, título que, pela primeira vez. foi dado a Gandhi por Rabindranath Tagore, mas que ele nunca usava.

5- Eu consideraria uma blasfêmia identificar-me com Krishna(2); faço apenas questão de ser um humilde operário e nada mais, a serviço duma grande causa, a qual pode antes ser prejudicada do que auxiliada pela glorificação de seus chefes.

6- Bem pouco sabe o mundo de quanto a minha chamada grandeza depende das incessantes labutas e dos sofrimentos de silenciosos operários, homens e mulheres, devotados, eficientes e puros.

7- A maior honra que meus amigos me podem prestar e' procurarem realizar em sua vida o ideal pelo que vivo ou então oporem-me a maior resistência possível, se não tiverem fé no meu ideal.

8- Estou convencido das minhas próprias limitações ~ esta convicção é minha força.

9- Não suspiro pelo martírio; mas, se ele me acontecer, nesse caminho que eu considero meu dever em defesa da Verdade que professo, então eu o terei merecido.

(2) Krishna, o protagonista do poema místico-ético da Bhagavad-Gita, é considerado na Índia como uma encarnação humana da suprema Divindade. Branman.

10- Há muitas coisas de que não podemos escapar, sem mais nem menos, mesmo evitando-as. Este invólucro terrestre em que estou aprisionado é o tormento da minha vida; mas tenho de entender-me com ele, e mesmo aceitá-lo de boa vontade.

11- Sinto e reconheço plenamente a minha fraqueza; mas a minha fé em Deus e em sua força e seu amor, é inabalável. Eu sou como um pouco de argila nas mãos do oleiro.

12- A minha roupagem carnal é tão corruptível como a de todos os meus companheiros humanos; e por isso estou tão sujeito a erros como qualquer um deles.

13- No meio das humilhações e da chamada derrota duma vida tempestuosa, sou capaz de manter a minha paz, graças à subjacente fé que tenho em Deus, traduzida como Verdade.

14- A minha vida é um Todo indivisível, e todos os meus atos convergem uns nos outros; e todos eles nascem do insaciável amor que tenho para com toda a humanidade.

15- Conheço o meu caminho; ele é reto e estreito; é como o gume duma espada. Tenho prazer em andar esse caminho. Choro quando tropeço. Deus diz: "Quem trabalha com esforço não perecerá" - e eu tenho uma fé implícita nesta promessa.

16- Por isso, embora minha fraqueza me faça cair mil vezes, não perderei a fé, e espero ver a luz, quando a minha carne estiver perfeitamente dominada, como um dia acontecerá.

17- O meu espírito me impele numa direção, e minha carne me impele em direção contrária. Há uma libertação desse jogo de duas forças; mas essa libertação só pode ser obtida pouco a pouco, através de estágios dolorosos.

18- Não posso atingir a libertação por uma recusa mecânica de agir, mas tão-somente por uma atividade inteligente despida de qualquer interesse. Esta luta equivale a uma incessante crucificação da carne, até que o espírito seja plenamente liberto.

19- Passo pelo mundo tateando o meu caminho rumo à luz, "no meio das trevas que me cercam". Muitas vezes aberro do caminho e falho nos meus cálculos. Confio somente em Deus, e tenho fé nos homens somente porque tenho fé em Deus. Se não tivesse Deus em Quem confiar, seria, como Tímon, inimigo da raça humana.

20- Não me interessa prever o futuro; só me ocupo com o presente; Deus não me deu o controle sobre o momento vindouro.

(3) Estas palavras são do maravilhoso cântico Lead Kindly Ligbt: "Guia-me, luz benigna, no meio das trevas que me cercam", em que o cardeal Newman conta a sua própria conversão, cheia de altos e baixos. Este cântico, gravado com sugestiva música, no disco Hymn of the Mariners, era o cântico favorito de Gandhi, que ele costumava tocar em quase todas as suas reuniões de prece. No prelúdio do livro Imperativos da Vida (traduzido para o Esperanto com o titulo Imperativoj de la Vivo), de Huberto Rohden, se encontra paráfrase de urna parte do cântico Guia-me, Luz benigna.

21- Nunca nenhum homem finito conhecerá plenamente a Verdade e o Amor, que em si mesmos são infinitos.

22- Estou satisfeito em realizar as coisas que tenho na minha frente; não me preocupo com o porquê e o para quê das coisas. O bom-senso nos ajuda a perceber que não devemos emaranhar-nos em coisas que não podemos compreender.

Deus é Verdade

23- Adoro Deus somente como a Verdade. Não O achei ainda, mas não cesso de procurá-LO. Estou disposto a sacrificar as coisas que me são mais caras, a fim de prosseguir nessa busca. E ainda que fosse necessário sacrificar a própria vida, espero estar pronto para esse sacrifício.

24- Não é dado ao homem conhecer a Verdade total; o seu dever está em viver de acordo com a Verdade na medida que ele a percebeu; e, em procedendo assim, deve recorrer aos meios mais puros, isto é, à não-violência.

25- A Verdade habita no coração de todo homem, e é ali que devemos procurá-la e viver de acordo com ela, na medida da nossa compreensão. Mas ninguém tem o direito de obrigar outros a viverem segundo a verdade assim como ele mesmo a enxerga.

26- Nunca em minha vida me tornei culpado de dizer coisas de modo diferente do que as via - a minha natureza me leva em linha reta ao cerne das coisas. E, se muitas vezes falho neste caminho, tenho a certeza de que a própria Verdade, em última análise, se fará ouvida e sentida por si mesma, como tantas vezes aconteceu na minha vida.

27- Procuro a Verdade humildemente, mas com toda a seriedade; e, no caminho dessa busca, confio totalmente nos meus companheiros de jornada, de maneira que eu possa conhecer os meus erros e corrigi-los.

28- Eu sou um simples aprendiz: não tenho erudição profunda; aceito a Verdade, onde quer que a encontre, procuro viver de acordo com ela.

29- Deveras, o que a um pode parecer erro manifesto, a outro pode parecer como pura sabedoria - e nada pode fazer, mesmo que seja vítima de alucinação.

30- Dizia Tulsides com verdade: Embora não haja prata na madrepérola, nem água no raio solar nenhum poder da terra pode libertar o iludido da sua obsessão, enquanto perdurar nele a ilusão da prata na concha nacarada ou a da água no raio de luz.

31- Há um Poder misterioso e indefinível que tudo permeia; eu o sinto, ainda que não o veja. Sentimos a presença desse Poder invisível, e, no entanto, ele desafia toda a nossa demonstração, porque é tão diferente de tudo que percebemos com os sentidos. Ultrapassa os sentidos, mas é possível, até certo ponto, raciocinar sobre a existência de Deus.

32- A fé transcende a razão; o único conselho que posso dar é o de não tentar o impossível. Não posso explicar a existência do mal com nenhum argumento racional. Tentar isto seria igualar-se a Deus.

33- A música divina flui incessantemente dentro de nós; mas o ruído dos sentidos abafa essa música, que em nada se parece com o que os nossos sentidos possam perceber e ouvir; ela é infinitamente superior a tudo isto.

34- Sou de parecer que todos nós podemos ser arautos de Deus, quando deixamos de ter medo dos homens e buscamos a Verdade em Deus, depois de perdermos todo o medo dos homens.

35- Anseio por ver Deus face a face. O Deus que eu conheço Se chama Verdade. Para mim, o único caminho certo para conhecer a Deus é a não-violência (ahimsa), o amor.

36- Deus perscruta os corações. Transcende palavras e pensamentos. Ele conhece o nosso íntimo melhor do que nós mesmos. Não toma a sério as nossas palavras, porque sabe que muitas vezes não sabemos o que dizemos, uns consciente, outros inconscientemente.

37- Deus é puríssima "essência". Para os têm fé n'Ele, Deus simplesmente é.

38- Nós não somos, somente Deus é. E, se nós queremos ser, devemos eternamente cantar Seu louvor e fazer Sua vontade. Dancemos ao som do Seu maravilhoso alaúde - e tudo vai bem.

39- Eu não vi Deus, nem O conheço. Fiz da fé que o mundo tem em Deus a minha fé; e, sendo a minha fé inextinguível, faço da minha fé a minha experiência pessoal.

Deus é soberania.

40- Tenho de tomar Deus por meu único guia. Deus é um Senhor zeloso; não partilha com ninguém a Sua soberania.

41- Deus é o mais rigoroso soberano que conheci aqui na terra; Ele nos exige contas inexoravelmente.

42- Deus vem em teu socorro, deste ou daquele modo, e te faz ver que não deves perder a fé, porque Ele está sempre atento ao teu aceno e a teu clamor, mas a Seu modo, e não a teu modo. Quanto a mim, não posso recordar-me de um único caso em que me tenha abandonado, nem mesmo na hora extrema.

43- Mesmo no mais negro desespero, quando parece já não haver auxílio e conforto neste vasto mundo, o Seu nome nos enche de força e afugenta todas as dúvidas e todo o nosso desespero.

44- Peçamos que Deus purifique os nossos corações de mesquinhez, vileza e fraude e Ele certamente atenderá ao nosso pedido. Muitos há que sempre retornam a essa inesgotável fonte de força.

45- Ainda que Deus esteja em cada átomo, ao redor e dentro de nós, contudo reservou ao Seu poder o direito de Se manifestar a quem Ele escolher.

46- Num sentido estritamente científico, é Deus a base tanto do bem como do mal; dirige o punhal do assassino bem como o bisturi do cirurgião(4).

(4) Aqui Gandhi parece falar como fatalista, mas, por outros textos, se evidencia o que ele pensava do livre-arbítrio do homem. Deus é, certamente, o autor da faculdade do livre-arbítrio humano, mas o uso ou abuso dessa faculdade corre por conta do homem, e não de Deus. Deus é causa material, dizem os filósofos, mas não causa formal. Nem do bem nem do mal dos homens.

47- Tenho visto e creio que Deus nunca nos aparece em pessoa, mas sim através de uma ação que é responsável pela nossa libertação, em nossas horas mais angustiosas.

48- Nunca achei que Deus deixasse de me responder. Mais perto de mim O tenho encontrado quando mais escuro parecia o horizonte, nos tormentos dos meus cárceres, quando a jornada da minha vida não era nada bonançosa. Não me recordo de um só momento da minha vida em que me sentisse abandonado por Deus.

49- Se eu tenho de me identificar com o sofrimento do mais insignificante homem da Índia; se eu tenho o poder, mesmo o menor do mundo, possa eu identificar-me com os pecados dos pequeninos confiados aos meus cuidados. E assim fazendo, com toda a humildade, espero um dia ver Deus - a Verdade - face a face.

50- O homem é um ser falível; nunca pode ter certeza dos seus passos. Nem eu me arvoro em guia infalível nem me arrogo inspiração. Para ser guia infalível devia o homem ter coração perfeitamente inocente, incapaz de fazer o mal. Eu, por mim, não estou neste caso.

51- Através de todas as tributações, tenho experimentado Deus como salvador. Sei que a frase "Deus me salvou" tem hoje um sentido mais profundo para mim. E, contudo, sinto não ter ainda compreendido a significação integral; somente uma experiência mais profunda poderá ajudar-me a alcançar uma compreensão mais completa.

52- Adoração ou. oração não consistem em palavreado verbal. Surgem das profundezas do coração; "quando estamos vazios de tudo, menos do amor"; quando mantemos em perfeita harmonia todas as cordas "a sua música passa a ser vibração para além do alcance". A oração não necessita de palavras.

53- Creio que uma prece silenciosa é, muitas vezes, mais poderosa do que um ato consciente; e por isto quando me sinto sem ajuda, oro sem cessar, na certeza de que uma prece nascida de um coração puro não deixara' nunca de ser atendida.

54- Deus não nos exige nada menos que uma total entrega da nossa personalidade, a fim de alcançarmos a única liberdade real digna de ser alcançada. E, quando o homem se perde a si mesmo deste modo, logo se acha a si mesmo, a serviço de todos os seres vivos.

Auscultando a Voz do Silêncio

55- Abster-se de alimento é muitas vezes necessário para manter o corpo com saúde mas não há tal coisa como abstenção da oração.

56- A experiência me ensinou que, para um adepto da Verdade, o silêncio faz parte da disciplina espiritual.

57- O homem que fala pouco, raras vezes proferirá palavras imprudentes; ele mede as suas palavras. O silêncio é um grande auxílio para quem, como eu, está em busca da Verdade.

58- Não haveria perigo de espécie alguma, se muitos homens fossem fiéis aos ditames da Voz interna; mas, infelizmente, não há remédio contra a hipocrisia.

59- Antes que o homem possa ouvir a Voz interna, tem de passar por um longo e árduo tirocínio de aprendizagem; e, quando a Voz fala, desaparece qualquer dúvida.

60- Creio na absoluta unidade de Deus, e por isto creio também numa humanidade una. Sempre considerei Deus sem forma. O 4ue ausculto é uma Voz como que vinda de longe - e contudo ela está bem perto.

61- Eu não estava sonhando quando escutava a Voz interna; mas essa Voz foi precedida de uma luta tremenda dentro de mim mesmo. Eu escutava, identifiquei a Voz - e eis que a luta cessou e eu estava cheio de tranqüilidade.

62- Há quem pense que Deus seja um produto da nossa imaginação; se isto fosse verdade, nada seria real.

63- As coisas reais são apenas relativamente reais. Para mim, a Voz é mais real que a minha própria existência; ela nunca me enganou, e por isto nunca enganou os outros. Todo o homem que quiser pode ouvir essa Voz.

64- Não tenho a pretensão de que esta manifestação da Voz de Deus seja algo novo. Infelizmente, não há nenhum caminho por onde se possa provar essa Voz, a não ser por meio de seus resultados. Deus não seria Deus se permitisse ser demonstrado por Suas creaturas.

65- Deus nunca me abandonou, nem sequer na hora mais tenebrosa. Muitas vezes me salvou de mim mesmo, e não me deixou um resquício de minha independência. Quanto maior a minha entrega a Deus tanto maior é a minha alegria.

66- O homem não tem de obedecer a ninguém a não ser ao seu próprio Eu. Deve escutar a Voz dentro de si mesmo. Quem não gostar do termo "Voz interna", diga "os ditames da razão", aos quais tem de obedecer. Se não obedecer a Deus, não duvido de que terá' de obedecer a algo que, em última análise, se revelará como sendo Deus. Felizmente, nada existe senão só Deus. Deus é o Universo.

67- Como toda outra faculdade, também o hábito de escutar a suave e silenciosa Voz tem de ser treinado, e exige talvez maior esforço do que a aquisição de outra faculdade qualquer. E ainda que entre milhares de aspirantes apenas uns poucos consigam ouvir a Voz, vale bem a pena arriscá-lo e tolerar pretensões ambíguas.

68- O humilde pesquisador, como eu pretendo ser, tem de andar bem cauteloso para manter o equilíbrio da mente; tem de reduzir-se a zero, para que Deus o possa guiar.

69- Será isto produto da minha ardente imaginação? Se assim for, bendigo a imaginação que, por mais de cinqüenta e cinco anos, me garantiu uma vida equilibrada, porque me habituei a confiar conscientemente em Deus, antes de ter quinze anos de idade.

A Arte é uma Manifestação da Alma

70- As coisas têm dois aspectos: um externo, outro interno. O aspecto externo não tem valor a não ser enquanto auxilia o interno. Por isso, toda a Arte verdadeira é uma manifestação da alma. As formas externas só têm valor na razão que expressam o espírito interno do homem.

71- Bem sei que muitos se dizem artistas, e como tais são conhecidos - e contudo não há em suas obras um vestígio de surto da alma, nem de inquietude.

72- Toda a arte verdadeira deve ajudar o homem a realizar o seu Eu interno. Quanto a mim pessoalmente, creio que posso realizar a minha alma inteiramente sem formas externas.

73- As creações da arte humana têm valor 50mente enquanto ajudam a alma a progredir rumo à auto-realização.

74- O homem comum, geralmente, não vê Beleza na Verdade; passa de largo, cego para a beleza. Toda vez que o homem começa a ver Beleza na Verdade nasce a Arte verdadeira.

75- Não há Beleza sem Verdade. Por outro lado, pode ser que a Verdade se manifeste de forma tal que, externamente, não revele Beleza alguma. Dizem que Sócrates era o maior amigo da Verdade em seu tempo - e, no entanto, consta que as suas feições eram as mais feias da Grécia. Na minha opinião, ele era belo, porque toda a sua vida estava empenhada na busca da Verdade.

76- Creações realmente belas aparecem quando surge a verdadeira compreensão. Se raros são estes momentos na vida, raros são também na arte.

77- Quando admiro as maravilhas de um pôr-de-sol ou a beleza do luar, a minha alma se expande em adoração ao Creador. Procuro enxergá-LO em Sua perfeição em todas as Suas creaturas. Mas mesmo o pôr ou nascer-do-sol me seriam obstáculos se não me ajudassem a pensar em Deus. Tudo que impede a alma de erguer vôo é ilusão e armadilha - bem como o nosso corpo, que, muitas vezes nos serve de estorvo em nosso caminho rumo às alturas.

78- A Verdade é a primeira coisa que deve ser procurada - e a Beleza e Bondade nos serão acrescentadas. Foi isto que o Cristo ensinou realmente, no Sermão da Montanha. t esta a Verdade e a beleza pelas quais eu vivo, e pelas quais desejaria morrer.

79- Gosto da música e de todas as demais artes; mas não lhes atribuo valor como geralmente acontece. Assim, por exemplo, não posso encontrar valor numa atividade que exija conhecimentos técnicos para ser compreendi da. Quando contemplo o céu semeado de estrelas em sua infinita beleza, isto é para meus olhos e isto significa para mim mais do que toda a arte humana me possa dar

80- A vida é maior que todas as artes. Quisera até ir além e dizer que o homem que mais se aproxima da perfeição é o maior artista; pois, que é a arte se lhe faltar o alicerce e arcabouço de uma vida nobre?

81- A verdadeira Beleza consiste, acima de tudo, na pureza de coração. A arte, para ser arte, deve dar tranqüilidade. Quero arte e literatura que possam falar a milhões de homens.

82- Durante toda a minha vida, a insistência que faço na Verdade me leva a considerar a arte como responsabilidade.

Não-Violência como Imperativo da Consciência

83- A vida humana é uma série de responsabilidades; e nem sempre é fácil fazer na prática o que na teoria se enxergou como sendo verdade.

84- Há princípios eternos que não admitem compromisso, e o homem deve estar disposto a sacrificar a sua vida em defesa desses princípios.

85- Não tenho a pretensão de ser perfeito; mas faço questão de me empenhar numa apaixonada busca da Verdade, que é apenas outra palavra para Deus.

86- A não-violência é a lei da espécie humana, assim como a violência é a lei do bruto. O espírito jaz dormente no irracional, que não conhece outra lei senão a força. A dignidade do homem exige obediência a uma lei superior - a~ poder do espírito.

87- A não-violência é o artigo número um da minha fé e é também o último artigo do meu credo.

88- O auto-sacrifício de um único homem é milhões de vezes mais poderoso do que o sacrifício de um milhão de homens que morrem matando outros.

89- Quando eu for incapaz de praticar o mal; quando nenhuma palavra áspera ou arrogante abalar, por um momento sequer, o meu mundo mental - só então, e não antes, a minha não-violência conquistará o coração do mundo inteiro.

90- O que eu faço pode ser feito por todos, porque eu não passo de um ser mortal comum, sujeito às mesmas tentações e acessível às mesmas fraquezas dos melhores entre nós. 91 Tenho sido um "jogador" durante a minha vida toda: na minha paixão por manter a minha fé na não-violência, arrisquei os maiores compromissos.

92- Não fui tão dedicado à ahimsa como fui à Verdade; tenho posto a segunda em primeiro lugar, e a primeira em segundo.

93- Um homem que professa não-violência nada pode fazer a não ser pela graça de Deus; sem ela, não teria a coragem de morrer sem ira, sem temor, sem vindita.

94- O sol no céu enche o Universo todo com o seu calor vivificante; mas, se alguém tentasse aproximar-se dele seria reduzido a cinzas. E o que acontece com relação à Divindade: tornamo-nos semelhantes a Deus na medida que praticamos não-violência, mas não podemos jamais tornar-nos totalmente iguais a Deus.

95- Não-violência é a lei suprema. Durante meio século de experiências, nunca enfrentei uma situação que me deixasse sem auxílio ou não tivesse remédio em termos de não-violência.

96- O meu conceito de não-violência não me leva a fugir do perigo e deixar sem proteção os que me são caros. Na alternativa entre violência e fuga covarde, só pos50 preferir a violência à covardia. Tampouco posso recomendar não-violência a um covarde como posso convidar um cego a gozar magníficos panoramas.

97- Na qualidade de covarde, que fui durante anos, eu abrigava violência; só comecei a apreciar a não-violência quando comecei a despojar-me da covardia.

98- Não passo de um humilde pioneiro na ciência da não-violência; as suas ocultas profundezas me arrepiam às vezes, como arrepiam os meus companheiros de trabalho.

99- O mundo não é totalmente governado pela lógica; a própria vida envolve certa espécie de violência, e a nós nos compete escolher o caminho da violência menor.

100- A força de matar não é essencial para a autodefesa; devemos ter a força de morrer. Quando alguém está plenamente disposto a morrer, nem sequer lhe vem o desejo de praticar violência.

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